27 de maio de 2013

Ideia Prum Conto

Alguém morre e deve enfrentar os maiores medos, corpóreos e abstratos, cultivados ao longo da vida. A percepção não será mais concedida por um dos cinco sentidos, mas por um novo sentido – que abrange todos os outros, intuitivamente, através de ondas vibrantes. Depois de trivialidades e batalhas, sequenciadas de acordo com graus de insanidade dos medos, o alguém nota lentamente que nada acontece e, assim, supera cada temor. 
Nesse outro cosmo dimensional, dias são medidos pela libertação (e não consumação) do tempo. [Tempo: coisa que vai por retrocesso na morte.] Quando constata que inexiste o medo, já que é fruto da vida e não da morte, e conforma-se com isso, a pessoa volta a viver. E o agora volta a chibatar-lhe a pele delimitadora dos olhos, que ficavam e seriam cada vez mais pendidos e ressacados. O medo libertou o indivíduo da morte – aliás, dispondo melhor, aprisionou-o novamente ao casulo metamórfico da vida – já que seu maior medo agora era o de não morrer e enfrentar eterno colosso perpétuo conhecido por “presente” e transmitido a cada momento (o tempo só existe na vida!). 
Ao notar que a dúvida é o que existe de mais concreto, não sabe mais diferenciar real de irreal – nem sabe se poderia usar essas palavras, ou quaisquer palavras. Se o viam, se o ouviam ou se nada-o-iam, não sabia mais. Ou nunca soube.

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