Coloco nosso amor em uma panela e aguardo o
cozer, mexendo para que não encaroce. Assim que sublimam nervos e vigores sulfatados,
levo cada restolho a uma vasilha hermeticamente lacrada. Espero pacientemente.
Justaponho cuidadosamente o resultado por entre camadas de clara em neve –
batida a partir de um pinto que nem nasceu, nem morreu. Planto o recipiente no
jardim, entre húmus e tabule, ao meio dia, e o rego com plânulas de Aequorea
victoria – mas o trabalho pesado, deixo às auxinas. Quando crescer a moita com
ameixas frescas, de madrugada, separarei uma porção de bichos da seda para
alimentar-se de fruto sagrado. Peço às Moiras que colham os casulos gêmeos,
tratem do fio e teçam-no em longos e nebulosos brocados. Cerzirei o tecido divino às
suas e às minhas vergonhas corrompidas e te amarei do mesmo jeito.