2 de agosto de 2013

Transmutação da Imatéria

Coloco nosso amor em uma panela e aguardo o cozer, mexendo para que não encaroce. Assim que sublimam nervos e vigores sulfatados, levo cada restolho a uma vasilha hermeticamente lacrada. Espero pacientemente. Justaponho cuidadosamente o resultado por entre camadas de clara em neve – batida a partir de um pinto que nem nasceu, nem morreu. Planto o recipiente no jardim, entre húmus e tabule, ao meio dia, e o rego com plânulas de Aequorea victoria – mas o trabalho pesado, deixo às auxinas. Quando crescer a moita com ameixas frescas, de madrugada, separarei uma porção de bichos da seda para alimentar-se de fruto sagrado. Peço às Moiras que colham os casulos gêmeos, tratem do fio e teçam-no em longos e nebulosos brocados. Cerzirei o tecido divino às suas e às minhas vergonhas corrompidas e te amarei do mesmo jeito.