A água é minha grande musa surrealista: nela mergulham
Nanã, Oxum e Iemanjá. Bebendo da caldeira do mundo; babando uma cara orbitária
para cada testa. É, ela é criadora, a água – somos cuspidos para fora do ventre
marejado. E é esparzindo gotas de alma pelo teto que fenecemos – de volta para a
mística água. Estou agora embriagado e desumanamente entorpecido pela vida que não
me houve. Fico abissalmente imerso na vasilha onde se lava alface. Bebo água. Engulo lodo acrisolado. Afogo-me. Quero a
inconsciência dinâmica, mas não a morte. Será que para manter um contato esférico
com a água, preciso superar o obstáculo de ser morto por ela? Nada mais justo:
se vim dela que ela mesma me leve por de baixo. Assim sendo, deixo a
balbuciação no cais: volto a te escrever.
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