Não, eu não me arrependo de ter dito que lhe amo,
ali o dizer soava tonal – pairava em uníssono. Depois veio vindo o tempo e a
distância, a noção de espaço... É isso! – a noção chutou o amor; a realidade
empurrou o amor do sexto andar do prédio ou do pico da colina. Os eu te amos foram
sendo proferidos incessantemente, como vírgulas. Pela inércia que tem a vírgula,
meu amor, o amor do nosso amor despenca do ínfimo infinito. E eu, seu amor? E
você, meu amor? E nós? Amor?
15 de outubro de 2013
10 de outubro de 2013
A Flor
Não há, no mundo,
nada mais indefeso que uma flor. Portanto, não há coisa mais impetuosa:
Primeiro, nos
afeiçoamos pela composta beleza viva da flor. Em seguida, buscamos
por detalhes dispostos em porções de flor, despindo-a. Eis que nos hipnotizamos
pela flor. Então, superado o primeiro contato, observamos o local onde enraíza-se
a flor – sem que cessem as lembranças formais da flor – e ficamos constrangidos;
“não é o bastante para ela!”.
Contaminados pela
nociva delicadeza e falsa modéstia, perguntamo-nos os porquês da flor! – Cada
vez mais revoltados com o fato de ela carregar tamanha beleza; o sentimento
transforma-se em ato barroco. Desumanizados pela maldição da flor, notamos a
inveja e sentimo-nos miúdos, menores que a joaninha sobre a flor. Enquanto
nasalamos o doce aroma, gradativamente, suscitamos a nós mesmos dó; dó pela fragilidade
que tem a flor. Ah, vale destacar que o tipo mais resplandecente de beleza é a
que pode ser facilmente destruída, frágil como flor.
Com ciúme camuflado
pela posse da flor, nos comprometemos com missão de zelar por ela – submissos
da flora. Sobra-nos a responsabilidade de matar a sede da flor (deixa-me
enfatizar: matar!). Também, respectivo à morte, nos condenamos ao feitio de
driblá-la, sediando luz por cima da flor. Até que, final e impacientemente,
morre a flor. Aleluia!
Da flor que antes absorvia
brilho e oxigênio, sobrará para nós a eterna culpa por tê-la desejado... E,
talvez, um vaso.
Como prova de total amor
recolho o vaso e planto novamente:
aqui,
"aceite esta calêndula."
9 de outubro de 2013
O Enlaçar
Tenho crescido: por isso, inteiro me
amedronto. Cada vez com maior frequência, reparo nas exigências para ser maturo.
As pessoas realmente têm posto o amor de
lado em função da rotina? E, ainda, por viverem, esquecem-se de serem felizes?
Mas a própria vida não é uma incessante busca por bocados de felicidade?
Então, de fato, aonde estamos indo se nem sabemos por onde ir?
Espero não ser assim
consumido.
Espero te encontrar ao dobrar
de alguma esquina.
Espero poder esperar por
tudo.
Assinar:
Postagens (Atom)