11 de julho de 2014

Do peito coberto ao pranto vulgar

Tu roubas de mim poesias violentas, as quais recitarei sorrindo sob luz verdejante – luz dos teus olhos que julgam, mas não veem. Tudo é completamente findável, que fique claro. O tudo que nos acoberta resiste tracionado apenas por fio, fio da meada, filete, fio da vida. Cerraram-se as cortinas dos teus olhos e agora fui ao limbo – fuga de dentro do corpo que busca sentir o inusitado. Aos momentos de instabilidade, apenas digo que sejam engolidos. Descontrolo-me por trajetos em esmo à flor da pele. Gero andanças no escuro, contornadas por diálogos solitários.
Esqueço-me que respiro – e, por esquecer, lembrei logo em seguida. Inspiro partículas do universo e expiro o argônio imutado de tempos atrás – elemento de mestres e nefastos, nosso e desconjuntado. Neste refúgio, agora evidenciado pela fisiologia hermética do ar, libero sangue de pudor, de exagero e de miscelânea. Eu, que impreciso como sou, salto sobre estruturas diagonais que unem mente e superfície – a dualidade oposta de mundos. Abrem teus olhos. Estou agora atônito: onde estará instalado teu amor temperamental? Tu me amas por ti próprio e em ti eu também caibo, volátil como sou?  Espaço-me. Pontuo-te. Desenlaço-me de mim.
Estou a dizer: o que é comunicado, quando não se sabe o quê? A quem, quando se desconhece sujeito? De que forma senão esta, em que posso dizer não sei a ninguém? Ninguém o sabe dizer.

15 de fevereiro de 2014

Despedida

Quando nos abraçamos não existe nada em nosso entorno.

O céu desaba, a terra cede e o mar se recolhe – tudo vira éter. Há fluidos de riquíssima energia sendo condensados de um corpo para o outro e, deste modo, nos tornamos um ser com estrutura corpórea toda encaixada e desimportante. Nesse abraço, existem apenas os sentidos e os sentimentos: sinto seu cheiro e me emociono, ouço sua respiração e vivo.
O abraço cessa, a noção de espaço/tempo retorna e lutamos contra o magnetismo da matéria para nos separarmos – nos destrinchando. Alguns pedaços de você se mantém remanescentes em mim e vice-versa e, eu sei, não importa o quão distante, sempre saberemos o caminho de volta. Estamos unidos pelo universo.

25 de janeiro de 2014

Feliz Aniversário, São Paulo!

 Esta é, sem dúvidas, uma cidade triste onde a vida voa mais rápido que você. 
É injusto que eu reclame tanto, visto que nasci aqui, conheci gente maravilhosa e consegui "espaço" para trilhar, ao menos, o estopim de minhas metas. Ao mesmo tempo, é um lugar inchado de corrupção e violência, onde somos afastados daquele ou daquilo que se intercruzou em nosso caminho. Penso que São Paulo é paradoxal, que complementa e suga, tudo simultaneamente. A mim, não tem agradado muito, a cada dia canso mais daqui: preciso de novos ares (assim como São Paulo também precisa, convenhamos).
Porém, como há controversas em tudo o que essa cidade nos apresenta, me sinto ainda preso a ela, enraizado e bastante lento (apesar de continuar correndo pra pegar o trem no horário - horário! horário!). A cidade é imensa e me deixa diminuto, espantando algumas das minhas motivações. Eu sei que muitos sonham em vir para cá porque sabem das diversas oportunidades (que realmente existem) e que, segundo os princípios da moral, eu estaria 'cuspindo no prato em que como' e etc. PORÉM, eu acredito na cidade, tirando de lado os péssimos governantes nada visionários.

Eis que tive, e continuo tendo, ótimos momentos em ruas e bairros daqui e sou grato - mesmo que eu ache que poderia tê-los tido de modos diferentes mas mesma intensidade em outros lugares e com as mesmas pessoas... admito que o cenário faz sempre parte do conjunto, então, não sei o quanto me foi contribuído por São Paulo. De toda e qualquer maneira, foi para cá que meus avós vieram e começaram nossa família; cá onde conheci queridos amigos; e cá que terá o potencial de nortear meu rumo.

12 de janeiro de 2014

(sem título)

Às vezes, antes de deitar para dormir, procuro janela afora por consolo. É aí que sou atingido por um estado que decidi descrever como um otimismo platônico, em que a noção de tempo-espaço se esvai. Noto, assim, que sou demasiado sortudo porque dentre tantas vidas, é a sua que me prende a atenção – logo penso em você e sei sobre a reciprocidade do ato. Posso dizer-lhe que estava absolutamente correto quando li que "estar perto não é físico". Eis que somos compatíveis e sincronizados pelo céu: a lua para a qual mentalmente declaro os meus sentires também agracia o seu sono. De alguma forma misteriosa, essa ligação faz com que nossas almas se intercruzem – dividimos da mesma carga vibratória, como quando, ao roçar de nossas pernas, respiramos em coreografia. É como se nos encontrássemos num estado superior e estivéssemos satisfeitos com o momento, plenos.
Você me transmite paz em esmo de cidade grande e, simplesmente, não mais sou corroído. Apesar de fisicamente sozinho, compartilho minha vida com alguém especial, sem cobranças ou espera. Por conta disso, quando estou com você, deste e de qualquer outro modo, não tenho medo da vida. Quando estou com você, ela, a vida, vira poema e os clichês compõem uma estrofe inteira, portanto, peço paciência. Existe no mundo alguém que me faça seguir em frente, então, também há em mim força de vontade e objetivos sinceros.
Os sentimentos que compartilhamos retraçam qualquer distância entre nossos corpos – estamos além do cosmo, em um só lugar e soprando o mesmo ar. Agora me sinto inteiro e esta é a maneira pela qual busco registrar e agradecer (e gritar, se eu puder) o amor que me completa.

Amor que sinto por você.

9 de dezembro de 2013