11 de julho de 2014

Do peito coberto ao pranto vulgar

Tu roubas de mim poesias violentas, as quais recitarei sorrindo sob luz verdejante – luz dos teus olhos que julgam, mas não veem. Tudo é completamente findável, que fique claro. O tudo que nos acoberta resiste tracionado apenas por fio, fio da meada, filete, fio da vida. Cerraram-se as cortinas dos teus olhos e agora fui ao limbo – fuga de dentro do corpo que busca sentir o inusitado. Aos momentos de instabilidade, apenas digo que sejam engolidos. Descontrolo-me por trajetos em esmo à flor da pele. Gero andanças no escuro, contornadas por diálogos solitários.
Esqueço-me que respiro – e, por esquecer, lembrei logo em seguida. Inspiro partículas do universo e expiro o argônio imutado de tempos atrás – elemento de mestres e nefastos, nosso e desconjuntado. Neste refúgio, agora evidenciado pela fisiologia hermética do ar, libero sangue de pudor, de exagero e de miscelânea. Eu, que impreciso como sou, salto sobre estruturas diagonais que unem mente e superfície – a dualidade oposta de mundos. Abrem teus olhos. Estou agora atônito: onde estará instalado teu amor temperamental? Tu me amas por ti próprio e em ti eu também caibo, volátil como sou?  Espaço-me. Pontuo-te. Desenlaço-me de mim.
Estou a dizer: o que é comunicado, quando não se sabe o quê? A quem, quando se desconhece sujeito? De que forma senão esta, em que posso dizer não sei a ninguém? Ninguém o sabe dizer.