Modos de peneirar,
modos de mastigar, modos de lidar, modos de desenhar, modos de nadar, modos de
respirar, modos de moer, modos de se portar. Sucção eufórica, respiração
cutânea, lambida propulsora, visão periférica, semblante embaçado, audição
apurada, voadoras rasantes. Cabide elétrico, ferro de mensurar, arma de afagar,
garfo de serrilhar, aspirador de penas, palmito quântico, amiúde compaixão, omelete extrínseco, Marte. Roncar enquanto come, esquecer-se do que não é, ronronar para o cão,
esquecer-se de ser, não ser.
A rotina tem me
transformado não em prisioneiro, mas em prisão. Prendo o ônibus no chacoalhar
espremido de corpos, prendo ideias na coceira de olhos, prendo a propagação
em arcabouços e esfolo a face em limo – e sou rotina, incompleta e
codificada. Falta-me tempo e sobra-me pesar. A rotina não nos deixa ser, mas o
mundo é (de)composto por oitenta por cento hábitos e vinte por cento habitantes.
Rotina é deificar a si enquanto acomoda-se, restringindo o tempo a um relógio e
forrando o espaço com carpetes – bebe de um cálice de monopólios, você que é
superlativo e proprietário de espaço, com cada vez menos tempo para almejar mais e maior espaço. Saiba que nada disso será isso: morreremos. O que não será
não é, no máximo finge ser: Deus na rotina não é, você é que finge-O ser.
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